sábado, 24 de março de 2012

Degeneração Gordurosa




                                

A degeneração gordurosa é uma deposição anormal e reversível de triglicerídeos nas células parenquimatosas.Geralmente ocorre no fígado,pois ele é o principal órgão envolvido no metabolismo das gorduras, mas pode ocorrer também no coração e nos rins. As causas incluem toxinas, desnutrição protéica, diabetes melito , obesidade e anóxia. A causa mais comum da degeneração gordurosa no fígado é o alcoolismo.

A degeneração gordurosa pode ser:

ESTEATOSE : Triglicerídeos se acumulam( aspecto de bolhas ou vesículas)
LIPOIDOSE : Outro tipo de gordura se acumula( aspecto de cristais)

Toxinas

                 Muitas doenças podem se manifestar no fígado como esteatose associada ou não à inflamação. Algumas estão associadas a distúrbios no metabolismo de gordura em todo o organismo com o acúmulo de gordura no fígado, mas não necessariamente. Medicamentos e substâncias tóxicas como a tetraciclina podem levar a inflamação e degeneração gordurosa do fígado através de lesão nas mitocôndrias do fígado, levando à incapacidade de metabolizar adequadamente as gorduras no órgão e ainda levar à destruição de células e inflamação.     

Desnutrição protéica

Sabemos que a  Desnutrição protéica é um exemplo de uma causa que leva a degeneração gordurosa, a gordura é de característica apolar, mas o sangue é polar.Onde  Pela lei química apolar dissolve apolar e polar dissolve polar, assim apolar não se mistura com polar, isso seria um grande problema para a fisiologia do nosso organismo, caso não existissem as lipoproteínas. Na engenharia do nosso corpo esse problema foi calculado, assim pessoas com saúde produzem estas lipoproteínas no fígado, que variam de acordo com a densidade, desde os quilomícrons até moléculas LDL(baixa densidade proteica) e HDL(alta densidade proteica), funcionam como transportadores da gordura pelo sangue, possuindo uma parte polar sendo a parte proteica que permite interação com o sangue, permitindo certa solubilidade e outra parte apolar para carregar o lipídio. Para o fígado fabricar essas lipoproteínas é preciso que a pessoa se alimente de proteínas, caso ocorra desnutrição protéica grave o organismo não produz as lipoproteínas como deveria, logo neste caso as gorduras tendem a se acumular nas células hepáticas do fígado(hepatócitos), pois a gordura vinda da alimentação passar pelo fígado para que ele empacote nas lipoproteínas e de lá vão os lipídios para todo o corpo, o fígado então fica gorduroso isso se chama esteatose hepática.

Diabetes

Degeneração gordurosa do fígado, acomete grande parte das pessoas obesas. Mais do que uma simples  alteração anatômica, a infiltração de gordura pode causar inflamação (hepatite), cirrose e até câncer no fígado. Recentes pesquisas demonstraram que o mecanismo através do qual a obesidade causa a esteatose hepática envolve a resistência à ação da insulina. Consequentemente, observa-se um elo entre a esteatose e o diabetes tipo 2.
Grande parte dos indivíduos obesos apresentam esteatose hepática, sendo que o mecanismo através pelo qual a gordura se infiltra nas células do fígado envolve a resistência à ação da insulina, sendo que esta última está associada ao aparecimento do diabetes mellitus tipo 2. Consequentemente, existe um elo entre a obesidade, o diabetes mellitus tipo 2 e a degeneração gordurosa no fígado.  
               


                              
                 Comparação entre o fígado de aspecto do normal (N) e o fígado com esteatose hepática (F). Note o volume  aumentado e a coloração amarelada do fígado (F) com  a degeneração gordurosa que caracteriza a esteatose
                
                 A importância da esteatose não reside somente na alteração estrutural e anatômica do fígado, que fica maior e de coloração amarelada, mas também nos danos causados às células hepáticas. Aproximadamente 20% dos pacientes com esteatose desenvolvem hepatite, ou seja, ficam com o fígado inflamado consequente à lesão provocada pela infiltração de gordura. No caso da infiltração gordurosa não relacionada ao consumo de álcool, o nome dado ao processo inflamatório é esteato-hepatite não-alcoólica (ou nonalcoholic steatohepatitis, cuja sigla é NASH). Com o passar dos anos, as áreas de inflamação tendem a cicatrizar e, como se sabe, ua cicatriz é caracterizada pelo depósito de fibrose na região afetada. Aproximadamente 5% dos pacientes apresentam esta cicatrização, ou seja, o acúmulo de fibrose no fígado, também conhecido como cirrose hepática.

Obsidade

A obesidade está associada a uma gama de alterações hepáticas como: hepatomegalia, aumento das enzimas hepáticas, alteração na histologia hepática (esteatose macrovesicular, esteatohepatite, fibrose e cirrose). Essas alterações são denominadas de doença gordurosa não alcoólica do fígado. A despeito das suas características clínicas, laboratoriais e histológicas serem bem documentadas, sua fisiopatologia não está totalmente elucidada. Existem evidências de que a NAFLD está associada à obesidade abdominal, à resistência insulina, ao diabetes, a hipertrigliceridemia, ao baixo HDL e à hipertensão. A hipótese integrada estabelece que a NAFLD resulta de 2 ou mais fatores de agressão ao fígado. O primeiro agressor é a esteatose, causada pela alteração do metabolismo lipídico. O aumento da lipólise do tecido adiposo leva a um aumento da oferta de triglicérides, a um aumento da lipogênese hepática e diminuição da oxidação de ácidos graxos. O segundo agressor é peroxidação hepática dos lípides com produção de citocinas inflamatórias, levando ao dano celular e à fibrose. A exata prevalência da NAFLD em obesos não é conhecida por falta de dados. A análise retrospectiva com biópsias hepáticas em obesos, sem quaisquer anormalidades clínicas, bioquímicas, auto-imunes ou genéticas, demonstrou que 30% dos pacientes apresentavam fibrose septal, 1/3 deles com cirrose silenciosa. Os pacientes que apresentam NASH (esteatohepatite não alcoólica) são obesos, entre 40 e 100 % dos casos.

Um comentário:

  1. Obrigada por este tão útil para prevenir e cuidar do nosso fígado .

    ResponderExcluir